Refinaria e volta da Samarco devem fazer economia do Estado crescer até 11%

A economia do Espírito Santo pode crescer de 9% a 11% nos próximos anos, segundo economistas ouvidos pela reportagem, caso seja concretizada a instalação de pelo menos uma refinaria de petróleo no Estado e a Samarco volte às atividades.

Há dois projetos de refinaria para o Estado. Um deles é da Oil Group Exploração e Produção, planejado para Presidente Kennedy; e o outro, para Aracruz, do grupo carioca Noxis Energy.

A Noxis Energy assina na quarta-feira protocolo de intenções, com o objetivo de realizar o investimento, conforme o blog Economia ES, do Tribuna Online, do jornalista Rafael Guzzo, tem noticiado com exclusividade desde o dia 24 de maio.

A volta da Samarco está prevista para o começo de 2020, mais de 4 anos após a tragédia de Mariana, ocorrida em novembro de 2015.

Em um primeiro estágio, a Samarco retornaria com 100 empregados, ou seja, ambos os empreendimentos criariam 1.730 postos de trabalho em estágio inicial — considerando todas as fases da possível refinaria. Contudo, na cadeia de fornecedores, poderiam ser contratados mais 2 mil profissionais.

Em operação plena, antes do acidente, trabalhavam na Samarco 1.200 empregados diretamente, e havia a manutenção de 10 mil empregos em toda a cadeia de fornecedores. Há a perspectiva de que número semelhante possa ser alcançado no médio ou longo prazo.

Segundo o professor e especialista em comércio internacional, Mário Vasconcelos, o retorno da mineradora e a instalação da refinaria, se confirmados, ajudarão no desenvolvimento da indústria, que teve uma queda de 0,7% no primeiro trimestre deste ano em todo o País, em relação ao mesmo período de 2018.

“A volta da Samarco, já no ano que vem, traz um resultado de curto prazo. Ela deve começar a recontratar seus colaboradores, e isso fomenta toda a economia das cidades sede e satélites da empresa. Já a instalação da refinaria traz resultados de longo prazo, a princípio com criação de empregos para a construção”, disse.

Volta da Samarco depende de condicionantes

Por meio de nota, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento (Sedes) informou que os investimentos são vistos com bons olhos pelo governo estadual, dado o potencial que tais empreendimentos acarretam, bem como o dinamismo econômico.

No caso específico da Samarco, a Sedes informou que o Estado está “aberto ao diálogo” e que o retorno da mineradora “precisa respeitar algumas condicionantes, sobretudo as ambientais, que garantam a segurança das operações e a preservação de vidas humanas”.

Sobre os investimentos em geral, a Sedes pontua que “esses tipos de empresa geram grande demanda de mão de obra, favorecendo, sobretudo, o desenvolvimento da região em que se instalam, além do crescimento de regiões vizinhas, dada a necessidade de criação de uma cadeia de fornecedores e serviços”.

Além disso, prossegue a Sedes, “tratam-se de empreendimentos de grande influência para a balança comercial dos estados em que se instalam”.

É cedo para cravar refinaria em Aracruz

Ainda é cedo para confirmar a a instalação da refinaria da Noxis Energy em Aracruz. É o que avalia o coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Durval Vieira de Freitas.

Embora ainda não esteja 100% certo, o projeto tem potencial para mil empregos nas obras e outros 630 na operação, sendo nesta etapa 500 vagas indiretas e 130 diretas, segundo informações divulgadas pela Noxis Energy para a reportagem.

“Ainda faltam várias etapas e apresentações até que se confirme o projeto. Mas, uma vez confirmado, a atuação dela e da Samarco irá fazer o setor industrial capixaba voltar a crescer. sem sombra de dúvidas”, disse.

Representantes da Noxis Energy participarão de audiência pública, na quarta, em Aracruz, e dependem de licenciamento ambiental para realizar o investimento.

O investimento na refinaria é estimado em cerca de US$ 600 milhões (R$ 2,352 bilhões). Caso saia do papel, a refinaria deverá processar 25 mil barris por dia e produzir 50% de bunker (combustível para navios), 30% de diesel e 15% de gasolina.

Além do grupo Noxis Energy, a multinacional Oil Group Exploração e Produção também anunciou projeto para a área do Porto Central, que será implantado em Presidente Kennedy.

Já a volta da Samarco deve ganhar força ao longo do ano que vem, com contratos fechados com siderúrgicas em vários países a partir do segundo semestre.

Informações: Tribuna On Line