Petrocity se anima com anúncio de Casagrande de melhor ambiente de negócios

Empresa adia seminário em Barra de São Francisco e coloca o foco no evento para assinatura de contratos de construção no próximo dia 17, em Vitória.

Como instrumento para incrementar a atividade econômica e consolidar o Espírito Santo como porta de entrada e saída para o comércio exterior, o governador Renato Casagrande (PSB) enfatizou, em seu primeiro dia no comando do Executivo, que sua gestão estará focada em ampliar e capacitar a infraestrutura logística do Estado.

“Precisamos da duplicação das nossas principais rodovias federais, as BRs 101 e 262, implementar nossa malha ferroviária, ter portos mais eficientes. Vamos debater o nosso sistema portuário e melhorar o ambiente de negócios para atrair novos investidores”, disse o governador numa entrevista de mais de meia hora no telejornal matina da TV Gazeta.

Renato Casagrande toma posse na Assembleia Legislativa, sob aplausos da Mesa Diretora (Foto: Antonio Carlos Sessa)

Renato Casagrande reconheceu que há gargalos na infraestrutura capixaba e prometeu “organizar melhor” o Iema (Instituto Estadual de Meio-Ambiente) para haver mais agilidade nas apreciações dos pedidos de licenciamento ambiental. “Que seja sim ou não, mas que decida logo. Claro, isso será feito com muita responsabilidade, mas é preciso mais agilidade”.

PORTO DE SÃO MATEUS

O governador mencionou até mesma possibilidade de estadualizar ou municipalizar portos que hoje têm instâncias decisórias na esfera federal, e não descartou também o capital privado para operar o sistema.

As notícias animam os empreendedores envolvidos no arrojado projeto privado do complexo portuário de São Mateus, capitaneado pela Petrocity, bem como outro projeto com recursos privados, da Estrada de Ferro Minas-Espírito Santo, com 560km ligando Sete Lagoas (MG) ao novo porto de São Mateus.

“Temos todas as licenças federais para iniciar as obras do porto, somente nos falta a licença ambiental do Iema. Nosso projeto foi entregue em julho e não teve andamento, mas, com esta notícia do governador Renato Casagrande, estamos ainda mais confiantes na possibilidade de iniciar as obras ainda neste primeiro semestre de 2019”, disse o presidente da Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva.

Até mesmo com base nessa expectativa, a Petrocity decidiu adiar a realização de um seminário em Barra de São Francisco, programado para o próximo dia 15, e colocar todo o foco no evento agendado para o próximo dia 17, em Vitória, quando serão assinados os contratos com os parceiros da empresa para a construção do complexo portuário. A parte principal ficará com a Odebrecht, que terá R$ 2,1 bilhões para a construção do porto, cujo custo final está projetado em R$ 3,2 bilhões.

FERROVIA

O empresariado do setor de mineração, neste momento, é o mais entusiasmado com o novo corredor logístico projetado pela Petrocity. Maurício Toledo, da Mineração Toledo, que é um dos dez maiores exportadores de rochas ornamentais do País, quer aproveitar a ferrovia e o porto também para incrementar as exportações de minério de ferro da região de Guanhães, no leste de Minas.

A mobilização em torno do porto já começa a movimentar também o setor imobiliário de São Mateus, pois na fase de construção serão gerados 2.500 empregos diretos e, na operação, 2 mil empregos diretos e em torno de 6 mil indiretos, o que demandará habitação.

Neste início de ano, lideranças da “ponta de linha” da nova ferrovia também procuraram a Petrocity para obter mais informações sobre a nova estrada.

“Tive contatos da cidade de Confins, onde fica o aeroporto internacional de Belo Horizonte, local projetado para receber uma Unidade de Transbordo de Armazenagem de Cargas com maior valor agregado. O pessoal de Sete Lagoas e Confins quer uma apresentação do projeto da ferrovia. Vamos reunir lideranças de Minas Gerais por unir forças em torno desse projeto, pois vamos mudar a geografia do Sudeste com o primeiro porto da região dentro da área da Sudene”, disse José Roberto.

(Série de reportagens produzidas pelo jornalista José Caldas da Costa sobre os impactos da nova ferrovia EFMES e o Complexo Portuário da Petrocity, em São Mateus)