Troca de corpos: família não se conforma com erro e diz que vai processar o Estado

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Famílias capixabas viveram um verdadeiro drama ao enterrar os entes queridos. O que aconteceu foi que duas mulheres com o nome de Elizabeth morreram, vítimas da covid-19, no mesmo hospital. Elas tiveram os corpos trocados. Uma das famílias fez o enterro duas vezes. Inconformados, eles dizem que vão processar o Estado.

Enterrar alguém é sempre algo que carrega muita tristeza. No domingo (28), a família ainda estava muito abalada. Isso porque três dias antes, eles já tinham ido ao enterro de uma pessoa querida, mas o que eles não sabiam é que corpo tinha sido trocado. Elizabeth de Souza tinha 78 anos. No lugar dela, foi enterrada Elizabeth Conceição Nunes, de 52 anos. As duas morreram com a mesma causa: covid-19. “Muito desesperador e doído para a família toda. Agora estamos aqui para pedir justiça para que outras famílias não sofram o que estamos sofrendo aqui”, disse a sobrinha Marta Souza.

Elizabeth de Souza ficou internada por dois meses, lutando contra o coronavírus. No dia 24, ela morreu. O filho reconheceu o corpo e o enterro aconteceu. Na sexta-feira (26), veio a notícia da troca. “Tinha muitas diferenças entre as duas. Minha tia era negra, tinha um ferimento na perna. A família reconheceu o corpo. De onde veio este erro?”, questiona a Patrícia de Souza, sobrinha da mulher.

A troca aconteceu no hospital Jayme dos Santos Neves, onde as duas Elizabeths estavam internadas e morreram. A história só foi descoberta quando a família da Elizabeth Conceição, de 52 anos, foi reconhecer e liberar o corpo para o sepultamento.

Depois da notícia da troca, começou outro drama: esperar pela exumação do corpo, enterrado no cemitério de Maruípe, em Vitória. No sábado (27), o juiz autorizou e a família confirmou o erro. Finalmente, o corpo foi levado para cemitério São Domingos, na Serra. A exumação que confirmou o erro foi acompanhada por uma equipe do hospital Jayme dos Santos Neves. Psicólogos, advogados, coordenadores prestaram apoio a família.

Por meio de nota a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) reconheceu a falha, pediu desculpas, disse que foi erro humano e que vai apurar os fatos. A família de Elizabeth, de 78 anos, não se conforma e diz que vai processar o Estado. “Acho um descaso. Para mim, isso não é um erro humano, é desumano. Vamos lutar para que outras famílias não passem pelo que estamos passando. É uma situação muito triste.

Informações: Folha Vitória