Em quatro anos, contador desviou mais de R$ 1 milhão da Câmara de Itarana

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O servidor preso por suspeita de desviar para a própria conta mais de R$ 1 milhão da Câmara de Itarana, no Espírito Santo, vinha agindo desde 2016. Segundo a Polícia Civil, Adair Lucas, de 47 anos, que era contador e tesoureiro do órgão desde 2005, fraudava folhas de pagamentos e apresentava extratos bancários falsos para não ser descoberto. Ele está no Centro de Detenção Provisória de Aracruz.

O suspeito atuava na Câmara Municipal da cidade desde 2005 como contador, tesoureiro e profissional de recursos humanos. De acordo com as investigações, era considerado um funcionário de confiança e acima de qualquer suspeita.

O desvio milionário só foi descoberto no início deste mês, quando a esposa do servidor registrou na polícia um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento dele.

No dia seguinte, o presidente da Câmara Municipal notou a falta de aproximadamente R$ 1 milhão na conta da Casa de Leis ao tentar fazer um repasse no valor de R$ 740 mil à Prefeitura referente à compra de um imóvel e, imediatamente, ligou os dois fatos.

A Polícia Civil foi acionada e passou a apurar o caso. Em um primeiro momento, a Controladoria do Município detectou que o servidor desviada dinheiro da Câmara desde maio de 2018. Entretanto, as investigações já apontam registros de irregularidades desde 2016.

Segundo a polícia, para sustentar os desvios e continuar no cargo sem que ninguém desconfiasse, o funcionário criava folhas de pagamentos suplementares, que eram desviadas para a conta dele. Além disso, o prejuízo pode ser maior.

“Além do desfalque, que hoje podemos afirmar que perfaz mais de R$ 1,1 milhão, sem atualização e correção, foi detectado também que em maio de 2017 a Câmara parou de fazer aplicações. Era atribuição desse servidor fazer aplicações do saldo remanescente e isso não acontecia, o que também lesava a Câmara”, explicou o titular da Delegacia de Itarana, Leandro Barbosa.

Com essa modalidade fraude, o servidor iludiu até o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TC-ES) ao apresentar extratos bancários falsos. “Nesses extratos, constavam aplicações, saldo irreal”, explicou o delegado.

Adair Lucas foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia 10 de novembro quando passava pela BR-381, próximo a João Monlevade, na região Central de Minas Gerais. Ele transportava mais de R$ 27 mil em notas de R$ 100 e R$ 50, e despertou a desconfiança dos policiais porque não conseguiu explicar a origem do dinheiro.

Ao consultar a documentação do suspeito, os policiais constataram que ele era procurado pela Polícia Civil do Espírito Santo.

Informações: G1