Deputado Enivaldo acusa Polícia Civil de desrespeitar a Assembleia

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Enivaldo criticou o fato de o delegado ter comunicado, diretamente à Assembleia, prisão de deputado e recebeu apoios

Em pronunciamento da tribuna da Assembleia na sessão extraordinária da manhã desta quarta-feira (9), o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) fez duras críticas ao comportamento da Polícia Civil no caso relacionado ao deputado Luiz Durão (PDT), que está preso no Quartel do Corpo de Bombeiros sob suspeita de estupro contra uma menor, e denunciou que “o Poder Legislativo foi desrespeitado” e alvo de tentativa de “indução ao erro”.

Somente na última terça-feira (8), de acordo com Enivaldo, segundo secretário da Mesa Diretora e relator da matéria, a Assembleia recebeu o relatório da prisão em flagrante do deputado Luiz Durão, em desacordo com a lei: “Repudio o comportamento da Polícia Civil, que não respeitou a Assembleia e demonstrou desconhecimento da lei. Um delegado não pode fazer um encaminhamento desse à Assembleia, isso teria que ser feito pelo Secretário de Segurança Pública no máximo em 24 horas após a ocorrência”.

A tentativa de indução ao erro, segundo Enivaldo, decorreu do fato de o encaminhamento ter sido feito com data anterior ao dia em que foi protocolado na Assembleia: “Isso depois de várais entrevistas espetaculosas do delegado e do chefe de Polícia. Acho até que estão fazendo isso de propósito, para que o inquérito chegue à Justiça cheio de vícios e seja anulado. Isso é uma falta grave que deve ser punida. E já antecipo que vou pedir ao secretário de Segurança a punição do delegado e do chefe de polícia. Não existe comunicação verbal, mas por ofício”.

Houve reações do plenário, com manifestações de apoio de outros deputados, principalmente os ligados ao setor de segurança, como Gilsinho Lopes (PR) e Euclério Sampaio (DC), que enalteceram a coragem de Enivaldo na denúncia, a começar por Theodorico Ferraço (DEM), que pediu cópia do discurso para entregar aos advogados de defesa de Luiz Durão.

Enivaldo dos Anjos ainda disse que o delegado do caso (Lorenzo Pazoline) “deveria ter se declarado impedido de atuar no inquérito, porque é deputado estadual eleito e estava autuando um parlamentar” e ainda acrescentou “estranhar que o desembargador de plantão não tenha observado a irregularidade cometida pela Polícia e tenha dado segmento ao ato ilegal”.

“Eu vou exigir uma reparação pública do chefe de Polícia. Não entro no mérito da questão analisada (a acusação contra Luiz Durão), mas do desrespeito à Assembleia Legislativa, que não pode abaixar a cabeça e tem que se fazer respeitar como Poder que é. Aliás, é o poder mais importante da República, porque tudo o que os outros fazem, o Executivo e o Judiciário, precisam de autorização do Legislativo”, acentuou Enivaldo dos Anjos.